Rafael de Toledo Barros

Cirurgia de Cabeça e Pescoço

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Ablação por Radiofrequência (ARF): Tratamento Moderno para Nódulos de Tireoide (Benignos e Câncer)

Aviso Importante: Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado para nódulos ou câncer de tireoide, procure sempre um endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço.

Texto redigido pelo Dr. Rafael Guedes de Toledo Barros, CRM 177112, RQE 102721.

Nos últimos anos, os avanços na medicina têm proporcionado alternativas cada vez mais seguras e eficazes para o tratamento de nódulos de tireoide. Um exemplo notável é a Ablação por Radiofrequência (ARF), um procedimento minimamente invasivo que vem revolucionando o cuidado com a tireoide. Conforme destacado por consensos internacionais e diretrizes da American Thyroid Association (ATA), a ARF se consolida como uma ferramenta valiosa [1, 2, 3].

O que é a Ablação por Radiofrequência (ARF) para Nódulos de Tireoide?

A Ablação por Radiofrequência é um procedimento guiado por ultrassom, no qual uma fina agulha é inserida com precisão até o nódulo da tireoide. Essa agulha emite ondas de radiofrequência, que geram calor controlado e promovem a destruição seletiva do tecido nodular, preservando o tecido tireoidiano saudável ao redor. Essa especificidade é crucial para manter a função da tireoide.

O método pode ser realizado com anestesia local e sedação leve, sem necessidade de cortes, internação prolongada ou cicatrizes visíveis. O paciente geralmente retorna às suas atividades normais em poucos dias, com mínimo desconforto, tornando-o uma alternativa promissora à cirurgia tradicional.

Ablação por Radiofrequência (ARF): Quando é Indicada para Nódulos de Tireoide?

A ARF não é apenas uma opção para nódulos benignos; suas indicações se expandiram para certos casos de câncer de tireoide, conforme as mais recentes diretrizes:

              1. Para Nódulos Benignos Sintomáticos ou Estéticos A ARF é indicada principalmente para pacientes com nódulos benignos de tireoide que causam:

                     ● Sintomas compressivos: como dificuldade para engolir (disfagia), sensação de “bolo na garganta” ou rouquidão, que afetam significativamente a qualidade de vida [1, 2].

                     ● Alterações estéticas: nódulos visíveis no pescoço devido ao seu tamanho, gerando incômodo ou baixa autoestima.

              2. Para Nódulos Funcionalmente Autônomos (Hipertireoidismo) Em alguns casos, a ablação pode ser considerada para nódulos funcionalmente autônomos (que produzem hormônio em excesso), ajudando a controlar o hipertireoidismo. Esta é uma opção, especialmente para pacientes que não são candidatos ideais para cirurgia ou terapia com iodo radioativo [1, 2].

              3. Para Microcarcinomas Papilíferos de Tireoide (CPT cT1aN0M0) de Baixo Risco A ARF tem um papel crescente em casos selecionados de câncer de tireoide. Para pacientes com microcarcinomas papilíferos de tireoide (CPT) de muito baixo risco (geralmente menores que 1 cm, sem extensão extraglandular e sem linfonodos afetados), a ablação percutânea pode ser uma alternativa à vigilância ativa ou à cirurgia. Essa indicação é particularmente relevante para aqueles que preferem uma abordagem menos invasiva ou que possuem contraindicações cirúrgicas [1, Seção 859, Recomendação 11.B; 2, Seção Indicações para o Uso de Ablação Térmica no Contexto da Malignidade]. Estudos comprovam a eficácia e segurança nesses cenários específicos [4, 5].

              4. Para Recidivas de Câncer de Tireoide bem diferenciado A ablação também é uma opção crucial para pacientes com doença locorregional recorrente ou persistente de câncer de tireoide diferenciado, como em linfonodos metastáticos no pescoço. Torna-se uma alternativa valiosa para quem possui alto risco em cirurgias de repetição ou que recusam a cirurgia, oferecendo controle da doença com menor invasividade [1, Seção 906, Recomendação 52; 2, Seção Indicações para o Uso de Ablação Térmica no Contexto da Malignidade; 5].

              Importante: Antes de qualquer procedimento de ablação, é fundamental confirmar o caráter benigno ou as características específicas de baixo risco de malignidade do nódulo por meio de biópsia aspirativa (PAAF) e uma avaliação médica e de imagem rigorosa.



Benefícios da Ablação por Radiofrequência (ARF) em Nódulos de Tireoide

Comparada à cirurgia convencional, a ablação por radiofrequência oferece uma série de benefícios comprovados por estudos científicos e consensos de especialistas:

             ● ✅ Procedimento Minimamente Invasivo: Sem cortes, apenas uma pequena punção na pele.

             ● ✅ Preserva a Função da Tireoide: Meta-análises indicam taxas significativamente baixas de hipotireoidismo e melhor preservação da função tireoidiana em comparação com a cirurgia [1, Seção 8.1]. A maioria dos pacientes evita a reposição hormonal vitalícia.

             ● ✅ Excelente Resultado Estético: Ausência de cicatrizes visíveis no pescoço.

             ● ✅ Redução Significativa do Volume do Nódulo: Estudos demonstram uma redução média do volume do nódulo de 64,5% em 6 meses, 76,9% em 12 meses e até 92,2% em 36 meses [1, Seção 8.1].

             ● ✅ Melhora da Qualidade de Vida (QOL): Pacientes relatam melhora nos sintomas compressivos e na QOL relacionada à tireoide [1, Seção 8.1].

             ● ✅ Baixíssimo Índice de Complicações: Considerado um procedimento muito seguro, com taxas de complicação significativamente menores que a
cirurgia [1, Seção 8.1]. Complicações como alteração de voz transitória são raras (aprox. 1,44%) [1, Seção 9].



Ablação por Radiofrequência: Eficácia Comprovada e Resultados Positivos no Tratamento da Tireoide

Diversos estudos e consensos internacionais confirmam a eficácia e segurança da ablação por radiofrequência. A maioria dos pacientes experimenta melhora dos sintomas compressivos, alta satisfação estética e funcional, com um índice de complicações muito baixo. Para microcarcinomas papilíferos selecionados, a ARF apresenta altas taxas de desaparecimento do tumor (57,6% a 91%) e baixas taxas de recorrência (0,4% a 3%), com excelente perfil de segurança [4, 5].

Um fato importante a ser levado em consideração é o de que a ablação pode não ser um procedimento definitivo, sendo às vezes necessária a repetição do procedimento.


Conclusão:
A Ablação por Radiofrequência (ARF) representa um método seguro, eficaz, minimamente invasivo e com excelente perfil de preservação da função. A ARF se consolida como uma ótima opção para nódulos benignos e uma opção valiosa e de baixa morbidade para pacientes cuidadosamente selecionados com microcarcinomas papilíferos e recidivas de câncer de tireoide diferenciado [1, Recomendação 1].

Se você foi diagnosticado com um nódulo tireoidiano ou com câncer de tireoide e busca opções de tratamento menos invasivas, converse com seu endocrinologista.

Ou cirurgião de cabeça e pescoço para saber se a Ablação por Radiofrequência é indicada para o seu caso e explore esta opção terapêutica inovadora.




Referências:

[1] Orloff LA, Noel JE, Stack BC, Jr, et al. Radiofrequency ablation and related ultrasound-guided ablation technologies for treatment of benign and malignant thyroid disease: An international multidisciplinary consensus statement of the American Head and Neck Society Endocrine Surgery Section with the Asia Pacific Society of Thyroid Surgery, Associazione Medici Endocrinologi, British Association of Endocrine and Thyroid Surgeons, European Thyroid Association, Italian Society of Endocrine Surgery Units, Korean Society of Thyroid Radiology, Latin American Thyroid Society, and Thyroid Nodules Therapies Association. Head Neck 2022;44(3):633–660; doi: 10.1002/hed.26960. [2] Santos GPL, Kulcsar MAV, Capelli FA, et al. Brazilian consensus on the application of thermal ablation for treatment of thyroid nodules: A task force statement by the Brazilian Society of Interventional Radiology and Endovascular Surgery (SOBRICE), Brazilian Society of Head and Neck Surgery (SBCCP), and Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab 2024;68:e230263; doi: 10.20945/2359-42922023-0263. [3] Jasim S, Patel KN, Randolph G, et al. American association of clinical endocrinology disease state clinical review: The clinical utility of minimally invasive interventional procedures in the management of benign and malignant thyroid lesions. Endocr Pract 2022;28(4):433–448; doi: 10.1016/j.eprac.2022.02.011. [4] Choi Y, Jung SL. Efficacy and safety of thermal ablation techniques for the treatment of primary papillary thyroid microcarcinoma: A systematic review and meta-analysis. Thyroid 2020;30(5):720–731; doi: 10.1089/thy.2019.0707. [5] Suh CH, Baek JH, Choi YJ, et al. Efficacy and safety of radiofrequency and ethanol ablation for treating locally recurrent thyroid cancer: A systematic review and meta-analysis. Thyroid 2016;26(3):420–428; doi: 10.1089/thy.2015.0545.

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