Pedra no rim que volta sempre, cansaço inexplicável e osteoporose precoce podem ter uma única causa: o hiperparatireoidismo. Saiba como identificar e tratar.
O hiperparatireoidismo primário, é uma das condições mais subdiagnosticadas da medicina moderna, e uma das que mais respondem bem ao tratamento cirúrgico quando identificadas a tempo.
Neste artigo, você vai entender o que são as paratireoides, por que elas causam tantos sintomas diferentes, como é feito o diagnóstico e qual é o caminho até a cura.
O Que São as Glândulas Paratireoides, e Por Que Quase Ninguém as Conhece
A maioria das pessoas já ouviu falar da tireoide. Mas as paratireoides? Quase ninguém sabe que existem.
São quatro glândulinhas localizadas atrás da tireoide, no pescoço, cada uma com aproximadamente o tamanho de um grão de arroz. Apesar de minúsculas, elas têm uma função essencial: regular o cálcio no sangue e nos ossos.
O hormônio produzido por elas se chama paratormônio (PTH). Quando o cálcio no sangue cai, as paratireoides liberam PTH para “puxar” cálcio dos ossos e aumentar a absorção pelo intestino e pelos rins. É um sistema de controle finamente equilibrado.
O problema começa quando uma (ou mais) dessas glândulas desenvolve um adenoma, um nódulo benigno que a faz produzir PTH sem parar, independentemente dos níveis de cálcio.
Os Sintomas
- Cansaço persistente e inexplicável que não melhora nem com descanso
- Dor nos ossos e nas articulações, muitas vezes confundida com artrite ou fibromialgia
- Pedras nos rins de repetição
- Osteopenia ou osteoporose precoce, especialmente em mulheres mais jovens
- Depressão, ansiedade e alterações de humor
- Dificuldade de concentração e perda de memória
- Fraqueza muscular
- Sede excessiva e vontade frequente de urinar
- Náuseas, constipação e desconforto abdominal
O que une todos esses sintomas? O excesso de cálcio circulando no sangue, que interfere no funcionamento de músculos, nervos, rins, ossos e até do sistema cardiovascular.
Quem Tem Mais Risco?
O hiperparatireoidismo primário afeta 1 em cada 1.000 adultos, com incidência estimada de 25 a 30 casos por 100.000 pessoas/ano. Os grupos de maior risco são:
- Mulheres após a menopausa
- Adultos entre 50 e 60 anos
- Pessoas com histórico familiar de doenças das paratireoides
- Pacientes que foram submetidos à radioterapia na região do pescoço
- Portadores de certas síndromes genéticas, como a Neoplasia Endócrina Múltipla (NEM)
Mas atenção: a doença pode ocorrer em qualquer faixa etária, inclusive em adultos jovens, e nesses casos o diagnóstico tardio pode causar danos ósseos ainda mais sérios.
Como o Diagnóstico É Feito
Em muitos casos, o diagnóstico começa de forma silenciosa: o paciente faz um exame de sangue de rotina e o médico percebe que o cálcio está elevado (hipercalcemia). A partir daí, é solicitada a dosagem do PTH, e se ambos estiverem altos ao mesmo tempo, o diagnóstico de hiperparatireoidismo primário está praticamente firmado.
O Tratamento
O tratamento definitivo é cirúrgico: a remoção do adenoma (ou das glândulas afetadas), procedimento chamado de paratireoidectomia.
A taxa de cura com a cirurgia realizada por um especialista experiente supera 95%, com baixíssimo risco de complicações.
A Importância do Cirurgião de Cabeça e Pescoço
Embora o diagnóstico inicial frequentemente passe pelo endocrinologista ou clínico geral, o tratamento cirúrgico do hiperparatireoidismo é responsabilidade do cirurgião de cabeça e pescoço, o único especialista com treinamento específico para operar as estruturas delicadas dessa região.
Nas mãos certas, a paratireoidectomia é um procedimento seguro, com internação breve (geralmente de 1 dia) e recuperação rápida.
Não Trate o Sintoma, Trate a Causa
Se você tem pedra no rim que volta, ossos fracos sem explicação, um cansaço que não passa e exames de cálcio levemente alterados, não ignore.
Não deixe que anos passem antes de chegar ao diagnóstico certo.
Agende uma consulta e descubra se uma avaliação das paratireoides pode ser o que faltava para você se sentir bem de novo.


