Rafael de Toledo Barros

Cirurgia de Cabeça e Pescoço

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Por que procedimentos estéticos ‘simples’ se tornam cirurgias de emergência? Cuidado com quem você confia sua saúde

Descubra os riscos dos procedimentos estéticos feitos por não médicos e entenda por que a escolha do profissional deve ir muito além do preço.

Vivem nos vendendo a ideia de que rejuvenescer, harmonizar o rosto ou mudar um traço físico é tão simples quanto cortar o cabelo. Anúncios na internet prometem transformações instantâneas, preços irrecusáveis e procedimentos “minimamente invasivos” feitos em consultórios improvisados ou salas comerciais sem a menor estrutura de suporte à vida.

Como cirurgião de cabeça e pescoço, eu preciso te fazer um alerta. Mesmo que eu não faça qualquer tipo de procedimento estético, já operei diversos casos gravíssimos decorrentes de procedimentos estéticos realizados por profissionais não médicos, onde tive que correr aos hospitais para tratá-los.

A ilusão do procedimento simples

Temos uma lei chamada Lei do Ato Médico — Lei nº 12.842/2013 — que diz que procedimentos invasivos são exclusividade de médicos. Mas o que significa “invasivo”?

O Conselho Federal de Medicina respondeu essa pergunta de forma bem concreta. Em um parecer oficial, o Parecer nº 35/2016, definiu:

“Invasivo é todo procedimento que rompe com a barreira natural da pele ou das mucosas.”

O erro fundamental começa quando pacientes encaram preenchedores, bioestimuladores ou enzimas como se fossem apenas cosméticos de uso tópico, esquecendo-se de que a face e o pescoço formam um complexo mapa de estruturas vitais.

Quando um procedimento é realizado por alguém sem formação médica aprofundada, que desconhece a fisiologia humana, a farmacologia de reversão e a anatomia cirúrgica avançada, o risco de uma complicação dispara exponencialmente.

Os bastidores do consultório

Nos últimos anos, o volume de pacientes que chegam aos centros médicos onde atuo buscando socorro após intervenções estéticas que não deram certo aumentou de forma alarmante.

São quadros que exigem cirurgias de urgência e, às vezes, cirurgias reconstrutivas complexas para tentar devolver a simetria e a função ao paciente.

Ver o sofrimento físico e emocional dessas pessoas me motiva a levantar esta bandeira: procedimento estético não é tratamento de salão, é um ato médico sério.

A sua segurança vale mais

Procedimentos estéticos são legítimos quando realizados por profissionais médicos qualificados em ambientes adequados. Mas o risco de complicações graves é real e pode ser permanente.

Antes de se submeter a qualquer intervenção, pesquise detalhadamente sobre quem vai tocar no seu corpo.

Exija sempre um médico especialista com CRM ativo e Registro de Qualificação de Especialista (RQE).

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